“Como meninos, agitados de um lado para o outro"
Essas palavras de Paulo são reveladoras. Ele diz que não devemos ser “como meninos, agitados de um lado para o outro” (Efésios 4.14). Não podemos permanecer crianças pelo resto das nossas vidas. O não crescimento e não desenvolvimento de um bebê é sinal de algum tipo de enfermidade ou anormalidade. Uma criança saudável e normal cresce e se desenvolve. É isso o que Paulo está dizendo aos cristãos. O novo-nascimento não é o bastante. Precisamos crescer, nos tornar maduros e cada vez mais parecidos com Jesus (Efésios 4.13). Deus não nos salvou e arrancou das garras do diabo a fim de que fôssemos crianças para sempre. Deus não planejou e nem deseja que sejamos bebê ou meninos espirituais por toda a nossa peregrinação nessa terra.
Na verdade, o diabo é quem tem esse desejo e projeto. Se ele não
consegue nos aprisionar nas trevas, ele tenta nos aprisionar na infância
espiritual. Se ele não consegue impedir-nos de encontrar com Deus, ele tentará
impedir-nos de crescer em Deus. Se ele não consegue abortar o nosso novo-nascimento,
ele tentará abortar o nosso crescimento. Ele trabalhará de todas as maneiras,
usará de todos os seus estratagemas, lançará todos os seus dardos inflamados,
enviará todos os seus ventos e sugestões para que permaneçamos simplesmente
bebês espirituais, gente que não cresce doentes na alma e no espírito, velhos
no corpo e meninos na fé.
Meninos são fáceis de serem agitados e levados de um lado para o
outro. Meninos são facilmente manipulados. Basta vir uma onda mais forte, um
vento mais furioso, um argumento – aparentemente – mais convincente, um
presente mais bem embrulhado, uma recompensa mais imediata, uma palavra mais
colorida e os meninos se deixam levar. Os meninos não se levam a si mesmos, mas
são levados pelos outros. São carregados por todos os que simplesmente têm a
intenção de carregá-los. Não é necessário muito malabarismo para levar as
crianças. As crianças são atraídas por tudo o que parece bonito e traz
satisfação imediata. Por isso não é difícil fazer com que os meninos troquem os
tesouros do amanhã pelas bugigangas do presente, as promessas de Deus pelas
promessas do diabo, a Palavra do Senhor pela palavra do homem, a cidadania nos
céus pelos prazeres transitórios do pecado.
Por essa razão, o apóstolo Paulo faz um apelo em prol do
crescimento dos cristãos! Não basta ter acontecido o novo nascimento; tem que
haver crescimento. Jesus não morreu e ressuscitou simplesmente para salvar o
ser humano da morte eterna, mas também para salvar o ser humano de uma infância
perene. Jesus morreu, ressuscitou e concedeu dons aos homens para eles
crescerem e chegarem “à perfeita varonilidade, à medida da estatura da
plenitude de Cristo” (Efésios 4.13). Nós não nascemos para não crescer! Pelo
contrário, nós nascemos para nos tornarmos adultos! Enquanto o crescimento é
normal, o não crescimento é sinal de anormalidade. Um bebê que nasce e não
cresce é um bebê anormal. Pela fragilidade da sua condição, ele precisa de
cuidados especiais a fim de não ser levado de um lado para o outro, de uma
enfermidade para outra enfermidade, de uma escravidão para outra escravidão.
Nós precisamos crescer! Não podemos permanecer debaixo da Síndrome
e maldição de Peter Pan. Não podemos permanecer debaixo da escravidão de
Satanás, sendo crianças por toda a nossa vida cristã. Jesus morreu e
ressuscitou para nascermos e crescermos, para passarmos pela infância e
chegarmos à maturidade. A nossa conversão e o novo nascimento não são o fim,
mas apenas o início da nossa salvação. Nascemos de novo para crescermos de
novo. Precisamos crescer até nos tornarmos mais parecidos com Cristo. Jesus é o
nosso padrão de crescimento. Para sabermos o quanto já crescemos, basta
sabermos o quanto parecemos com Jesus. Não basta dizermos que amamos Jesus, mas
sim amarmos com Jesus amou, perdoarmos aos outros com Ele perdoou,
relacionarmo-nos com o Pai como Ele se relacionou, obedecermos a Deus como Ele
obedeceu, entregarmo-nos em favor dos outros como Ele se entregou, servirmos às
pessoas como Ele serviu, desapegarmo-nos do mundo como Ele se desapegou,
profetizarmos ao mundo como Ele profetizou, andarmos nessa terra como Ele
andou.
Pr. Gustavo Bessa





