“Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a
seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar. E, levando consigo a
Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. E lhes
disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai.
E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se
possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível;
passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu
queres.
Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não
pudeste vigiar nem uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o
espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras. Voltando,
achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam
o que lhe responder.
E veio pela terceira vez e disse-lhes: Ainda dormis e repousais! Basta!
Chegou a hora; o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.
Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.”
Observe estas frases: “Começou a sentir-se tomado de pavor e de
angústia.” “Minha alma está profundamente triste.” “E, adiantando-se
um pouco, prostrou-se em terra.”
Este parece um quadro de um Jesus santo, repousando na palma de Deus? De
modo algum. Marcos usou tinta preta para descrever esta cena. Vemos um Jesus
agonizante, lutando e se esforçando. Vemos um “homem de dores”. Vemos um homem
enfrentando o medo, em luta com os compromissos e ansiando por alívio.
Vemos Jesus no nevoeiro de um coração partido.
O escritor de Hebreus iria dizer mais tarde, “Ele, Jesus, nos dias da
sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e
súplicas a quem o podia livrar da morte”.
Que descrição! Jesus sofrendo. Jesus às portas do medo. Jesus não está
revestido de santidade, mas de humanidade.
Da próxima vez que o nevoeiro o envolver você faria bem em lembrar-se de
Jesus no jardim. Da próxima vez em que pensar que ninguém compreende, releia o
capítulo 14 de Marcos. Da próxima vez que a auto piedade o convencer de que
ninguém se importa, vá visitar o Getsêmani. E da próxima vez em que ficar
imaginando se Deus realmente percebe a dor que prevalece neste poeirento planeta,
ouça-o suplicando entre as árvores retorcidas.
Este é o meu ponto. Ver Deus desse modo faz maravilhas em relação ao
nosso próprio sofrimento. Deus jamais foi tão humano quanto nessa hora. Deus
jamais esteve mais próximo de nós do que quando sofreu. A Encarnação jamais foi
tão cumprida quanto no jardim.
Como resultado, o tempo passado no nevoeiro da dor poderia ser o maior
dom de Deus. Poderia ser a hora em que finalmente vemos nosso Criador. E
verdade que no sofrimento Deus se assemelha mais ao homem; talvez em nosso
sofrimento possamos ver a Deus como nunca antes.
Da próxima vez em que você for chamado para sofrer, observe. Talvez esse
seja o ponto mais próximo em que vai estar de Deus. Preste muita atenção. Pode
muito bem ser que a mão que se estende para guiá-lo para fora do nevoeiro
esteja traspassada.
( Marcos 14:32-42 / Isaias 53:3 / Hebreus 5:7). O grifo é meu.
Se durante o dia há fúria e tempestade ao nosso redor, e o inimigo tenta de todas as maneiras nos derrubarem, sabemos que estamos seguros em Jesus, e a partir dessa segurança temos a capacidade de reagir. Este é justamente o nosso combate da fé, que pratiquemos o que dizemos crer. Em compensação, só somos capazes disso se, pela manhã, no silêncio, tivermos tido um encontro com o vencedor Jesus Cristo. Em outras palavras: aquele que quer ser vitorioso no dia-a-dia, este deve ter tido um encontro com o Vencedor. Ele dá o querer e também o executar; Ele pode o que nós não podemos pela própria força. “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.” E quando falhamos, precisamos desanimar? Não! Aquele que confessa ao Senhor suas falhas e sua incapacidade, e se humilha, este pode contar com o perdão que é dado pelo precioso sangue de Jesus. Mas a renúncia é uma astúcia do inimigo, ao qual devemos resistir. Jesus Cristo é o Autor e Consumador da nossa fé, e Ele também há de completar a boa obra que começou em nós.

Nenhum comentário:
Postar um comentário