Em Jeremias 17:15: “Eis que eles me dizem: Onde está a Palavra do Senhor? Que se cumpra agora!”. Somos tentados a querer que tudo se cumpra agora, já! Mas sabemos bem que o tempo de Deus é perfeito e é bem diferente do nosso. Eclesiastes 3 diz que “tudo tem o seu tempo determinado”, e “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo”.
Precisamos resistir a essa tentação
do “já”, e aprender a descansar na soberania do Senhor. Quando já não podemos
mais aguentar a ansiedade devemos parar tudo e correr para buscar o Senhor.
Jeremias 17 começa com um confronto. O pecado de Judá
(louvor) está gravado em seu coração. No verso 2 lemos que até mesmo diante de
seus filhos eles pecaram. Eles se lembraram disso e ficaram marcados por isso.
Em nossas ansiedades, por diversas vezes, agimos mal diante das pessoas. Nosso
temperamento sanguíneo nos leva a “descontar” em pessoas próximas a nossa
aflição de espírito.
O coração
é enganoso, diz o verso 9. É “desesperadamente corrupto. Quem o conhecerá?”.
Percebemos motivações erradas, interesses e ganâncias que se escondem dentro de
nós. Orgulho, dureza, vontade de fazer do "meu" jeito e no "meu"
tempo. Também o desejo de ser o melhor e o maior. Na aflição e ansiedade do espírito,
estavam ocultas outras razões que não a glória de Deus. “Eu o Senhor,
esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos” Jer 17:10. E ali, diante do
espelho da Sua palavra, somos exposta e tratada mais uma vez.
Justificar
a angústia pelo anseio de ver as promessas cumpridas, a Palavra adverti do
perigo de perder a herança. No verso 4 lemos que, por causa da sua própria
falta, Israel perderia a herança que o Senhor havia lhe dado. Entendemos que é
possível que eu não receba o que o Senhor me prometeu. Não porque o Senhor
falha em cumprir Suas palavras, mas pelo meu próprio pecado. Logo depois o
texto descreve qual é esse pecado.
No verso
5 diz: “Maldito o homem que confia no homem, que depende da carne para ser sua
força, e cujo coração se desvia do Senhor”. O pecado é esse: deixarmos de
confiar no Senhor nosso Deus e passarmos a esperar alguma coisa do homem e das
estruturas humanas. Colocamos nossas expectativas nas pessoas e no que elas
podem fazer por nós. Ainda que o próprio Deus tenha nos falado sobre quem Ele
vai usar para o cumprimento dos Seus propósitos, não podemos jamais tirar os
olhos do Senhor e colocar a nossa esperança na tal pessoa ou estrutura. O texto
continua falando sobre o que acontece com alguém que deixa de confiar no
Senhor.
No verso
6 diz que “não verá a prosperidade
quando ela chegar”. O
texto também diz que esta pessoa que não confia em Deus, mas sim no homem,
“habitará no deserto”. Às vezes Deus
mesmo nos leva ao deserto, como fez com o próprio Senhor Jesus antes de iniciar
seu ministério (“… e (Jesus) foi guiado pelo Espírito ao deserto, onde por
quarenta dias foi tentado pelo diabo” (Lc 4:1,2)). Em Oséias 2: 14 lemos: “…eu
a atrairei ao deserto e falarei docemente ao seu coração”. O deserto é,
portanto, este lugar de encontro com Deus, com nossos inimigos e com nosso
próprio coração. A consequência de não confiar em Deus é habitar no deserto.
Quem confia em Deus pode até ser levado por Ele ao deserto, mas será apenas um
lugar de passagem, de tratamento e restauração. Não será sua morada.
Nós lemos
outra coisa – na verdade, o contrário -, a partir do verso 7 de Jer 17.
Começamos a ler sobre como é abençoado o homem que confia no Senhor e que põe
nEle a sua confiança! Será como uma árvore plantada junto às águas. Ele tem
raízes profundas que chegam até o ribeiro. Ele não teme o calor, a sequidão,
suas folhas estão sempre verdes e nunca deixa de dar frutos!
Como lemos no verso 14: ”Sara-me,
Senhor, e serei curado. Salva-me, e serei salvo, porque Tu és o meu louvor”
Deus não
quer que carreguemos fardos pesados no que diz respeito àquilo que estamos
esperando Dele. Se nestas áreas tudo o que eu posso fazer é confiar, então não
devo ter nenhum peso e angústia em meu coração.
Como o
Senhor é maravilhoso! Ele quer nos aliviar de todo fardo! A ansiedade quase nos faz perder o fôlego. Mente
cheia de argumentos e razões falsas. Não conseguimos descansar no Senhor.
Que lágrimas
de arrependimento jorrem e lavem o coração. Que
haja conserto entre você e as pessoas que talvez você tenha ferido ou afetado
na sua aflição de espírito. Que
como uma mulher grávida que está prestes a dar à luz, continuemos “gerando” as
promessas e descansando, até chegar o tempo perfeito em que aquilo que tanto
aguardamos será uma realidade em nossos braços.
O texto de Jeremias 17 termina falando exatamente sobre o Shabbat!
“Desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado, que
tenazmente nos assedia…” Hb 12:1
Peso é diferente de pecado. Isso aprendi com meu
pai. Ele sempre diz isso, repetindo que peso são aquelas coisas lícitas, mas
que não convém.
Peso não são necessariamente coisas erradas, mas
são coisas que nos embaraçam.
É aquele namoro em que as pessoas podem até ser
crentes, mas o propósito de Deus para suas vidas é bastante diferente para um e
outro. Este relacionamento embaraça a vida de ambos. Cria nós, emaranhados,
difíceis de soltar a fim de serem livres. Não que o relacionamento esteja
errado, na prática de pecados como defraudação ou prostituição. Mas, por não
estarem totalmente alinhados com os planos de Deus para suas vidas, o namoro se
torna um peso, um embaraço, um impedimento ao cumprimento do melhor de Deus
para as pessoas envolvidas.
É aquela sociedade feita com uma pessoa que tem
princípios, pensamentos e interesses diferentes do seu. Vai caminhando bem até um
certo ponto, e logo se torna um peso. Ao invés de trazer alegria, a empresa é
motivo de estresse, desânimo, contenda, e amizades vão por água abaixo por
causa do convívio ríspido em uma parceria que, na verdade, nunca deveria ter
começado.
Um curso na faculdade sem propósito para o futuro.
Um comprometimento com um ministério em que você não se encaixa. A tentativa de
ser ou fazer aquilo para o que Deus não te capacitou. Cobranças, pressões,
existem em todas as situações, mas quando estamos no lugar errado e na hora
errada, somos a pessoa errada, e tudo vira peso, embaraço.
Se continuarmos lendo, o autor aos Hebreus
continua:
“Desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado, que
tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está
proposta”
Como correr se estamos embaraçados? Fugimos do
pecado, mas muitas vezes nos perdemos nos embaraços da vida. Aliás, não
tropeçamos em montanhas, mas em pedrinhas, não é mesmo?
Se você, assim como eu, quer ser livre para correr
velozmente (correr com os cavalos, como disse Deus a Jeremias!), e cumprir a
carreira proposta pelo Senhor para nossas vidas, então precisamos nos
desembaraçar de todo peso!
Precisamos aprender a dizer “não”. Nem toda boa
oportunidade é para ser aceita.
Precisamos aprender a dizer “espere”. Nada melhor
do que o tempo certo para tudo (já dizia o sábio Salomão em Eclesiastes).
Precisamos aprender a dizer “sim”, e correr, e
correr, livres, sem embaraços, na estrada determinada pelo Pai para nós, nesta
breve e passageira vida.
Não há tempo a perder. Sejamos livres já!
Texto de Ana
Paula Valadão

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